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Godot vs Unity em 2026: os Fatores Críticos Para Escolher Sua Engine

Comparação side-by-side entre Godot Engine e Unity logos e interfaces

Godot vs Unity em 2026: qual escolher para o seu jogo? Veja os fatores que decidem (custo, performance, 2D, 3D e emprego) e o veredito direto, sem mito.

Godot vs Unity em 2026: os Fatores Críticos Para Escolher Sua Engine

Vou começar com a parte que ninguém gosta de ouvir: a engine importa muito menos do que você acha. Passei mais de 20 anos nesse mercado e a maior parte do tempo que perdi foi escolhendo ferramenta em vez de construir jogo. Dito isso, a escolha entre Godot e Unity ainda é uma das primeiras decisões de quem está começando, e ela tem consequências práticas. Então vamos resolver isso de forma honesta.

As duas são engines maduras, usadas em jogos comerciais que venderam de verdade. Elas só partem de filosofias diferentes. Unity dominou o mercado indie e mobile por mais de uma década. Godot é open-source, gratuito de ponta a ponta, e cresceu bastante nos últimos anos, principalmente depois que a Unity tentou cobrar taxa por instalação em 2023 e quebrou a confiança de muita gente. Em 2026 as duas são escolhas defensáveis. A pergunta certa não é "qual é a melhor", é "qual resolve o seu problema".

Abaixo eu comparo as duas por performance, facilidade de uso, custo, ecossistema, plataformas, empregabilidade e workflow. Onde eu tenho número confiável, eu uso. Onde não tenho, eu falo do que dá pra observar na prática e deixo claro que é leitura de experiência, não benchmark de laboratório.

Fatores Críticos Para Escolher: Godot vs Unity (Resumo Rápido)

Se você quer a resposta direta, são estes os fatores que costumam decidir a escolha:

FatorGodotUnityVence
Facilidade de usoMais leve e simplesCurva mais íngreme🟢 Godot
Custo100% grátis, sem royaltiesGrátis com condições/limites🟢 Godot
Performance 2DEngine 2D nativaBoa, mas adaptada🟢 Godot
Performance 3D e mobileBoa e melhorandoMais madura🔵 Unity
Ecossistema de assetsPequeno, em crescimentoAsset Store gigante🔵 Unity
Plataformas e consolesPC, mobile e webCobertura completa, inclui consoles🔵 Unity
EmpregabilidadeNicho, em altaPadrão de mercado🔵 Unity

Escolha Godot se você está começando, foca em jogos 2D, quer custo zero e código aberto, e valoriza uma engine leve pra aprender os fundamentos sem briga com a ferramenta.

Escolha Unity se seu foco é 3D ou mobile de alta performance, você precisa do maior ecossistema de assets pronto, ou está mirando emprego em estúdio.

Não existe "melhor engine", existe a melhor escolha pro seu objetivo. Os tópicos abaixo destrincham cada fator.

Contexto: Unity vs Godot em 2026

Unity: o gigante estabelecido

Lançada em 2005, a Unity popularizou ferramentas profissionais que antes só estúdios grandes acessavam. Hoje é usada por milhões de desenvolvedores, de estudante a estúdio AAA, e foi por muito tempo a engine padrão do mercado mobile e indie.

O que importa saber em 2026:

  • É forte em mobile e tem presença grande em VR/AR, e também fora de games (arquitetura, automotivo, simulação).
  • A maioria das vagas de game dev que pedem engine no Brasil pede Unity. Não tenho número fechado e oficial, mas é o que aparece de forma consistente nas vagas que circulam.
  • O editor roda em C#. Existe visual scripting nativo pra quem prefere não programar tudo na mão.
  • O episódio da Runtime Fee em 2023 (taxa por instalação) gerou revolta, e a Unity acabou revertendo. Funcionalmente a taxa não existe mais, mas o estrago de imagem ficou.

Godot: o desafiante open-source

Lançada em 2014, a Godot é totalmente open-source sob licença MIT. Isso quer dizer uma coisa concreta: você pode abrir o código da engine, modificar e usar comercialmente sem pedir permissão e sem royalty. Não é "grátis com pegadinha", é grátis de verdade.

O que importa saber em 2026:

  • Sem royalties, sem licença paga, sem splash screen obrigatória.
  • A Godot 4 trouxe um renderizador moderno (Vulkan, Metal, Direct3D 12) e fechou boa parte da distância em 3D. A linha 4.x continua evoluindo: veja as novidades da Godot 4.7.
  • Programa em GDScript (sintaxe parecida com Python) e também aceita C# e C++ via GDExtension.
  • Virou favorita de muito indie justamente pelo custo zero e pela liberdade de não depender de empresa nenhuma.

A migração de 2023-2024

Quando a Unity anunciou a Runtime Fee, muita gente migrou ou pelo menos testou a Godot pela primeira vez. A Unity reverteu a decisão, mas dois efeitos ficaram. Primeiro, parte da base perdeu confiança e passou a tratar a Godot como plano B sério. Segundo, gente experiente que chegou na Godot nesse período ajudou a engine a amadurecer mais rápido, porque trouxe demanda e contribuição de quem já lança jogo.

Comparação 1: Facilidade de Uso

Pra quem está começando, a curva de aprendizado é decisiva. Quanto menos a ferramenta atrapalha, mais tempo sobra pra aprender game dev de verdade.

Godot: mais acessível

O GDScript tem sintaxe limpa e parecida com Python, então você lê o código quase como lê português. O editor é leve, abre em segundos e o sistema de nós (cada coisa do jogo é um nó dentro de uma cena) é fácil de pegar. A documentação oficial é boa e o motor funciona sem você precisar configurar pipeline de renderização logo de cara.

Um movimento de personagem 2D fica assim:

extends CharacterBody2D

const SPEED = 300.0

func _physics_process(_delta: float) -> void:
    # get_vector já normaliza a direção (diagonal não fica mais rápida)
    var direction = Input.get_vector("left", "right", "up", "down")
    velocity = direction * SPEED
    move_and_slide()

Repare que o move_and_slide() já cuida de colisão e do passo de tempo pra você. Pra um iniciante absoluto, dá pra ter um personagem andando na tela no primeiro dia de uso, sem exagero.

Unity: curva mais íngreme

A Unity te pede mais desde o começo. O C# traz conceitos de orientação a objetos, namespaces e tipagem que custam um pouco pra quem nunca programou. O editor é mais pesado, ocupa vários gigabytes e pede uma máquina decente. E logo de início você esbarra em decisões que iniciante não tem repertório pra tomar, tipo qual render pipeline usar.

O mesmo movimento, em Unity com C#:

using UnityEngine;

public class PlayerMovement : MonoBehaviour
{
    public float speed = 300f;

    void Update()
    {
        float horizontal = Input.GetAxis("Horizontal");
        float vertical = Input.GetAxis("Vertical");

        // .normalized evita que a diagonal fique mais rápida que reto
        Vector2 direction = new Vector2(horizontal, vertical).normalized;
        transform.position += (Vector3)(direction * speed * Time.deltaTime);
    }
}

Os dois códigos fazem a mesma coisa. A diferença é o tanto de cerimônia em volta: a versão Unity já te obriga a declarar classe, herança de MonoBehaviour e multiplicar pelo Time.deltaTime na mão. Nada disso é difícil depois que cai a ficha, mas é mais coisa pra entender no primeiro contato. (Pra movimento com colisão, o caminho mais correto na Unity é usar Rigidbody2D, mas aí já é outro assunto.)

Veredito: Godot vence em acessibilidade

Pra começar, a Godot tira atrito do caminho. A Unity é mais poderosa, e isso aparece quando o projeto cresce, mas no primeiro mês ela intimida mais. Se o seu objetivo agora é aprender e ver coisa rodando na tela, a Godot te leva lá com menos dor de cabeça.

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Comparação 2: Performance

Performance 2D

Aqui a Godot tem uma vantagem estrutural, não só de marketing. O renderizador 2D dela foi feito pra 2D desde a base, com pipeline próprio. A Unity, historicamente, trata 2D como um caso especial do renderizador 3D, o que adiciona overhead e costuma exigir mais ajuste manual pra rodar liso quando a tela enche de sprites.

Na prática isso significa que, num jogo 2D pesado de partículas e sprites, a Godot costuma manter o frame rate com menos esforço de otimização. Não vou cravar número de "X mil sprites a 60fps" porque isso depende demais de máquina, batching e o que cada sprite faz. Mas se o seu jogo é 2D, a Godot parte na frente.

Performance 3D

Em 3D a Unity ainda é mais madura. As pipelines URP e HDRP são robustas, têm anos de otimização em produção AAA e melhor suporte pra hardware de ponta e console high-end.

A Godot 4 fechou bastante essa distância com o renderizador novo (Vulkan, Metal, D3D12) e tem iluminação global em evolução. Pra 3D indie e estilizado, dá conta com folga. Pra visual fotorrealista de ponta, a Unity (ou a Unreal) ainda entrega mais ferramenta pronta. Se a Unreal entra na sua conta, leve em conta que o Unreal Engine 6 vai aposentar o Blueprint em favor do Verse, uma virada que muda o aprendizado de quem mira essa engine.

Performance mobile

A Unity tem mais de uma década de otimização focada em mobile, ferramentas de profiling específicas e um caminho de build pra Android e iOS muito rodado. Se mobile de alta performance é o foco, ela larga na frente.

A Godot melhorou bastante em mobile na linha 4.x e tem um footprint menor, o que ajuda no tamanho do app. O que falta ainda são as opções avançadas de otimização que a Unity acumulou.

Resumo de performance: Godot ganha em 2D, Unity ganha em 3D de ponta e mobile, e em 3D indie é praticamente empate.

Comparação 3: Custo Total

Custo é fator decisivo pra muito indie, então vale separar o que é grátis de verdade do que é grátis até dar certo.

Godot: 100% gratuito

A engine é grátis, exportar pra qualquer plataforma é grátis, não tem royalty e não tem taxa escondida. A licença MIT te deixa modificar o código-fonte e usar comercialmente sem restrição. O investimento pra publicar um jogo é zero do lado da engine. O que você paga é custo de plataforma, e isso independe de engine (a taxa do Steam Direct, por exemplo, é a mesma em qualquer caso).

Unity: gratuito com condições

A Unity tem faixas. A versão Personal é gratuita até um certo teto de receita ou financiamento nos últimos 12 meses, e nela a splash screen da Unity é obrigatória. Acima desse teto, você precisa de um plano pago (Pro ou Enterprise), que cobra anuidade por licença e remove a splash screen, entre outras coisas.

Os valores exatos das faixas e dos planos a Unity ajusta de tempos em tempos, então confira no site oficial antes de planejar orçamento, em vez de confiar num número que envelhece rápido. O ponto que não muda: depois da reversão da Runtime Fee, não há royalty por instalação. O custo da Unity é assinatura por licença quando você cresce, não porcentagem do faturamento.

Veredito: Godot vence em custo

Pra quem está começando ou é hobbyista, as duas saem de graça. A diferença aparece quando o jogo dá certo: a Godot continua custando zero, a Unity passa a cobrar assinatura. Se você quer eliminar essa variável de vez, a Godot resolve.

Comparação 4: Ecossistema e Assets

Unity Asset Store: incomparável

A loja de assets da Unity é o maior diferencial prático da engine. São dezenas de milhares de itens, de gratuitos a comerciais de alto nível: modelos, shaders, sistemas inteiros, ferramentas de editor consagradas. Pra certos projetos, isso economiza meses, porque você compra uma base pronta em vez de construir do zero.

Godot Asset Library: pequena, mas crescendo

A biblioteca da Godot é bem menor e mais focada em plugins e código aberto do que em conteúdo comercial. A qualidade varia. Em compensação, a comunidade compartilha muito código no GitHub, e boa parte dos assets "de arte" que você usa (sprites, modelos, som) é independente de engine. Pacotes como os da Kenney, por exemplo, funcionam em qualquer lugar.

Veredito: Unity domina o ecossistema de assets

Se o seu plano depende de comprar muita coisa pronta pra acelerar, a Unity oferece muito mais. Se você prefere ou precisa construir do zero, a diferença pesa menos.

Comparação 5: Plataformas Suportadas

Godot: boa cobertura, com um buraco

A Godot exporta oficialmente pra Windows, macOS, Linux, Android, iOS e web (HTML5). O ponto fraco é console. PlayStation, Xbox e Nintendo Switch não têm export oficial fácil: você depende de empresas terceiras especializadas em port ou de soluções não oficiais e trabalhosas. Se lançar em console entra no seu plano, eu detalho o caminho real em desenvolvimento de jogos para console. Pra PC, mobile e web, ela cobre o que você precisa.

Unity: cobertura completa

A Unity exporta oficialmente pra praticamente tudo: PC, mobile, web, PlayStation, Xbox, Nintendo Switch e os principais headsets de VR/AR. Se lançar em console faz parte do plano, o caminho na Unity é oficial e bem documentado.

Veredito: Unity vence em plataformas

Se console entra na conta, a Unity é a escolha óbvia hoje. Pra um jogo de PC, mobile ou web, a Godot dá conta sem você nem sentir a diferença.

Comparação 6: Empregabilidade

Se o seu objetivo é trabalhar em estúdio, a engine que você aprende muda quais portas abrem.

Unity: padrão de mercado

A Unity é a engine mais pedida em vaga de game dev, com folga, principalmente no segmento mobile. Não tenho um percentual oficial e auditado pra te dar, e desconfio de quem dá, mas a tendência é clara em qualquer agregador de vagas: Unity aparece muito mais do que Godot.

Tem um bônus aqui: o C# que você aprende na Unity é transferível. É a mesma linguagem usada em desenvolvimento web e software corporativo com .NET. Ou seja, esse conhecimento vale dinheiro mesmo fora de games.

Godot: nicho, mas em alta

Vaga que exige Godot especificamente ainda é rara. O GDScript é exclusivo da Godot, então essa parte não transfere. Por outro lado, a adoção está crescendo, e tem um detalhe que pouca gente fala: no fim, o estúdio contrata por portfólio, não por engine. Um jogo seu publicado e bem feito conta mais que a logo da engine no currículo. E saber mais de uma engine te marca como alguém que aprende ferramenta rápido, que é exatamente o que time bom quer.

Veredito: Unity vence em empregabilidade

Se emprego em estúdio é a meta principal agora, a Unity abre mais portas de imediato e o C# te dá uma carta a mais fora de games.

Comparação 7: Comunidade e Suporte

Quando você trava (e você vai travar), onde consegue ajuda?

Unity: comunidade massiva

A base da Unity é enorme. Quase qualquer problema que você enfrentar, alguém já enfrentou e documentou em algum lugar: Stack Overflow, fórum, vídeo, curso. O lado ruim é o volume: muito tutorial está desatualizado pra versões antigas, e separar o que ainda vale do que já não vale dá trabalho.

Godot: comunidade menor e mais próxima

A comunidade da Godot é menor, mas costuma ser bem acolhedora e ativa, principalmente no Discord oficial e no fórum. A documentação oficial é forte e os tutoriais estão razoavelmente atualizados pra linha 4.x. O risco é o oposto da Unity: problema obscuro às vezes simplesmente não tem solução pronta documentada, e você vai ter que resolver na raça.

Veredito: Unity em volume, Godot em proximidade

Se você valoriza ter resposta pra tudo a um search de distância, Unity. Se você prefere uma comunidade menor e mais disposta a sentar do seu lado, Godot.

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Comparação 8: Workflow no dia a dia

Godot: ágil e leve

O ponto forte da Godot no dia a dia é a iteração rápida. O editor é leve e raramente trava, o sistema de cenas é modular e reutilizável, e a recompilação do GDScript é praticamente instantânea. Você muda uma coisa e testa quase na hora, com pouco tempo morto entre a ideia e ver ela rodando. Pra projeto solo ou time pequeno, isso é ouro.

Unity: robusto, mas mais pesado

A Unity entrega ferramentas maduras: profiler excelente, integração forte com Visual Studio pra debug e gerenciador de pacotes pra dependências. O preço disso é peso. Em projeto grande, a compilação de C# demora, entrar em play mode leva alguns segundos e o editor pode engasgar. Pra time grande e organizado, as ferramentas compensam o overhead. Pra iteração rápida de uma pessoa só, incomoda.

Veredito: depende do tamanho do projeto

Projeto pequeno ou médio, a Godot é mais ágil. Projeto grande com time, as ferramentas da Unity compensam o peso. Não dá pra cravar vencedor sem saber a escala.

Comparação 9: Linguagens de Programação

Godot: GDScript, C# ou C++

O GDScript é a linguagem nativa: parecida com Python, limpa, fácil de ler e otimizada pra Godot. A performance é boa o suficiente pra grande parte dos jogos. O ponto fraco é que ela só existe dentro da Godot, então o aprendizado de sintaxe não transfere (a lógica de programação, sim).

Se você quer algo transferível ou mais performático, a Godot suporta C# oficialmente. E pra trechos críticos de performance, dá pra escrever em C++ via GDExtension. A maioria dos projetos nunca precisa chegar nesse nível, mas a porta existe. Se a sua dúvida agora é GDScript ou C# dentro da própria Godot, eu destrincho isso no comparativo C# vs GDScript no Godot 4.

Unity: C# em primeiro lugar

A Unity é centrada em C#: linguagem moderna, performática, padrão de indústria e transferível pra desenvolvimento .NET fora de games. Tem também visual scripting nativo pra quem prefere montar lógica em nós em vez de escrever código, embora pra projeto sério você acabe voltando pra código de verdade.

Veredito: depende de onde você quer chegar

Pra começar do zero, o GDScript é o caminho mais suave. Se você já sabe C# ou quer empregabilidade, a Unity aproveita melhor esse investimento, porque o C# vale fora de games também.

Tabela Comparativa Rápida

AspectoGodotUnityVence
Facilidade pra começarMais simplesMais íngremeGodot
Performance 2DNativa, na frenteBoa, adaptadaGodot
Performance 3DBoa pra indieMais maduraUnity
CustoZero, sempreZero até crescerGodot
Ecossistema de assetsPequenoEnormeUnity
PlataformasPC, mobile, webTudo, inclui consoleUnity
EmpregabilidadeEm alta, nichoPadrão de mercadoUnity
ComunidadePróxima, menorMassivaEmpate técnico
WorkflowÁgil (projeto pequeno)Robusto (projeto grande)Depende
LinguagemGDScript fácilC# transferívelDepende

Quando Escolher Godot

A Godot é a escolha mais natural se você:

  • Faz principalmente jogos 2D
  • Tem orçamento apertado (estudante, hobbyista) e quer custo zero de verdade
  • Valoriza software open-source e não querer depender de empresa nenhuma
  • Quer uma curva de aprendizado mais suave pra focar em game dev, não em configurar a engine
  • Trabalha solo ou em time pequeno
  • Não planeja lançar em console agora
  • Vai mirar PC, mobile ou web

Perfil típico: indie fazendo jogo 2D ou 3D estilizado pra PC, mobile e web.

Quando Escolher Unity

A Unity faz mais sentido se você:

  • Planeja jogos 3D visualmente ambiciosos
  • Quer lançar em console (PlayStation, Xbox, Switch) com caminho oficial
  • Pretende trabalhar em estúdio em algum momento
  • Tem mobile de alta performance como prioridade
  • Depende de um ecossistema grande de assets pra acelerar
  • Vai trabalhar em time maior, que se beneficia das ferramentas mais robustas
  • Tem VR/AR como foco
  • Já sabe C# ou quer aprender uma linguagem que vale fora de games

Perfil típico: dev mirando mobile, console ou emprego em estúdio.

Casos de Uso Específicos

Jogo 2D indie pra Steam: Godot. Performance 2D na frente, iteração rápida e custo zero ajudam a margem. O export pra Steam é tranquilo nas duas.

Jogo mobile free-to-play: Unity. Domínio no mobile, integrações maduras de anúncio e analytics, build de Android e iOS muito rodado e assets prontos pra esse tipo de jogo.

Primeiro jogo, foco em aprender: Godot. Curva suave, custo zero tira a pressão e você foca em game dev em vez de lutar com a engine. Se precisar migrar pra Unity depois, os fundamentos vão junto. Pra dar o primeiro passo, veja como criar seu primeiro jogo mobile ou comece a linguagem pelo GDScript do zero.

Jogo pra console: Unity. Suporte oficial a todos os consoles e processo de port bem documentado. Console na Godot ainda depende de terceiros.

Projeto comercial ambicioso: depende. Se é 2D ou 3D estilizado, a Godot é viável e te livra de assinatura. Se é 3D fotorrealista de ponta, Unity ou Unreal. Se é multiplayer de larga escala, a Unity tem networking mais maduro.

Migrando Entre Engines

Você não fica preso na primeira escolha. Muito dev usa as duas, e a transição é mais tranquila do que parece, porque a maior parte do que você aprende é conceito, não comando.

De Godot pra Unity: transferem os conceitos de game dev (física, renderização, ciclo de vida de objeto), a lógica de programação e a noção de montar o jogo a partir de cenas e objetos reutilizáveis. Não transfere a sintaxe do GDScript nem a forma específica do sistema de nós. Espere algumas semanas pra ficar produtivo.

De Unity pra Godot: o caminho é até mais curto, porque a Godot é mais simples. O C# que você já sabe funciona na Godot, os conceitos de GameObject e Node são análogos e todo fundamento de game dev vai junto. O que muda são as APIs específicas e o pipeline de asset.

A parte que importa: o tempo que você gasta aprendendo a primeira engine não é jogado fora quando troca. Engine é vocabulário. A gramática, que é game dev de verdade, você leva pra qualquer lugar.

Conclusão

As duas engines fazem jogo comercial de qualidade. Isso já está provado por jogos que venderam de verdade em cada uma delas, e do lado da Godot dá pra conferir vários jogos comerciais feitos em Godot que rodaram bem no Steam. Então pare de tratar essa escolha como se fosse irreversível e definitiva, porque não é.

Resumindo a decisão: vá de Godot se o seu jogo é 2D ou indie, se orçamento zero importa e se você valoriza simplicidade e código aberto. Vá de Unity se você mira 3D ambicioso, mobile, console, emprego em estúdio ou precisa do ecossistema grande de assets.

E se você ainda está em dúvida, vou te dar o conselho que eu queria ter recebido há 20 anos: comece pela Godot, que é grátis e tira atrito do caminho, e termine um jogo pequeno até o fim. Publique. Depois, se precisar, aprenda Unity. Os fundamentos transferem inteiros, e um jogo terminado ensina mais do que qualquer comparativo de engine, inclusive este. A engine é a ferramenta. Quem constrói o jogo é você.

Perguntas frequentes

Godot ou Unity em 2026: qual é melhor para iniciante?

Para começar, Godot tira mais atrito do caminho: editor leve, GDScript com sintaxe parecida com Python e custo zero de verdade. Você foca em aprender game dev em vez de configurar a engine. Unity é mais poderosa e vira padrão de mercado, mas intimida mais no primeiro mês. Se a meta agora é aprender e ver algo rodando na tela, comece pela Godot.

Godot já é melhor que a Unity para jogos 2D?

Em 2D a Godot tem vantagem estrutural, não só de marketing: o renderizador 2D dela foi feito para 2D desde a base, com pipeline próprio. A Unity historicamente trata 2D como caso especial do renderizador 3D, o que adiciona overhead. Num jogo 2D pesado de sprites e partículas, a Godot costuma manter o frame rate com menos esforço de otimização.

Vale mais a pena aprender Unity ou Godot para conseguir emprego?

Para emprego em estúdio hoje, Unity abre mais portas: é a engine mais pedida em vaga, principalmente em mobile, e o C# que você aprende nela transfere para web e software corporativo .NET. Godot ainda é nicho no mercado de vaga, mas está em alta. No fim, estúdio contrata por portfólio: um jogo seu publicado pesa mais que a logo da engine no currículo.

Godot consegue exportar para PlayStation, Xbox e Switch?

Não com export oficial fácil. A Godot exporta oficialmente para Windows, macOS, Linux, Android, iOS e web. Para console você depende de empresas terceiras especializadas em port. A Unity exporta oficialmente para PlayStation, Xbox e Switch com caminho documentado. Se lançar em console faz parte do plano, a Unity é a escolha óbvia hoje.

A taxa por instalação da Unity ainda existe?

Não. A Runtime Fee anunciada em 2023 foi revertida. Funcionalmente não há royalty por instalação. O custo da Unity hoje é assinatura por licença quando seu faturamento passa de um teto; abaixo disso a versão Personal é gratuita com splash screen obrigatória. A Godot continua 100% grátis, sem royalty e sem splash.