Doriax: Nova Engine Open Source 2D/3D com Lua e C++ (Vale Para Iniciante?)

Doriax é a nova engine open source 2D/3D com scripting em Lua e C++, ECS data-oriented e editor com IA. Veja o que muda e se vale para o seu primeiro jogo.
Uma engine nova acaba de entrar no radar do desenvolvimento de jogos open source: a Doriax Game Engine, que até pouco tempo atrás se chamava Supernova. Ela é uma engine 2D e 3D sob licença MIT, roda em Windows, Mac e Linux, aceita scripting em Lua e C++ e ainda traz um assistente de IA embutido no editor. A notícia veio do site gamefromscratch.com, que publicou um hands-on em 30 de julho de 2026. Neste post, você vai ver o que foi confirmado sobre a engine e, mais importante, o que isso significa na prática para quem está começando ou fazendo jogo indie no Brasil.
Aviso honesto logo de cara: engine nova e de nicho não é o caminho que recomendamos para o primeiro jogo. Mas o que a Doriax sinaliza sobre o ecossistema open source merece a sua atenção, mesmo que você nunca abra o editor dela.
O Que É a Doriax Game Engine
A Doriax é uma engine de jogos 2D e 3D open source. O projeto existia antes com o nome de Supernova e agora foi rebatizado como Doriax. A fonte dessas informações é o artigo Doriax Game Engine Hands-On, do gamefromscratch.com, publicado em 30 de julho de 2026.
Os pontos confirmados no hands-on:
- Licença MIT: uma das licenças open source mais permissivas que existem. Você pode usar a engine em projeto comercial, modificar o código e redistribuir sem pagar royalties.
- Multiplataforma de desenvolvimento: roda em Windows, Mac e Linux.
- Duas linguagens de script: Lua para iteração rápida e C++ para performance nativa.
- Runtime ECS orientado a dados: a arquitetura interna segue o padrão Entity Component System com foco em dados, uma abordagem pensada para performance.
- Editor integrado para cenas 2D e 3D, com um assistente de IA embutido que cria entidades e scripts a partir de linguagem natural.
Ou seja: não é um framework de código puro, tipo biblioteca que você importa e programa tudo na mão. É uma engine com editor visual, o que a coloca na mesma categoria de ferramenta das engines que você provavelmente já conhece.
Os Recursos Técnicos Confirmados
Vamos ao que a engine entrega segundo o hands-on, sem especulação.
Gráficos: quatro backends e PBR
A Doriax suporta os backends gráficos OpenGL, Vulkan, Metal e DirectX. Na prática, isso significa que ela consegue conversar com a placa de vídeo nas três plataformas de desktop usando a API mais adequada de cada uma: DirectX e Vulkan no Windows, Metal no Mac, Vulkan e OpenGL no Linux.
No lado do render, ela trabalha com materiais PBR (physically based rendering, o padrão atual de materiais realistas), iluminação dinâmica e cascaded shadows (a técnica de sombras em cascata usada para manter qualidade de sombra em cenas 3D grandes).
Importação de assets: GLTF, OBJ e recursos 2D
Para 3D, a engine importa modelos nos formatos GLTF e OBJ, com suporte a animação esquelética, morph targets (deformações de malha, muito usadas em expressão facial) e instancing (renderizar muitas cópias do mesmo objeto de forma barata).
Para 2D, ela suporta sprites, tilemaps e polígonos. Ou seja, dá para montar tanto um jogo de plataforma com tiles quanto uma cena 3D com modelos animados.
Física e áudio
A física 2D usa Box2D e a física 3D usa Jolt Physics. Esses dois nomes importam, e vamos voltar neles daqui a pouco. O áudio é 3D espacial, ou seja, sons posicionados no espaço da cena, com direção e distância.
Scripting: Lua para prototipar, C++ para otimizar
O modelo de duas linguagens é um dos pontos mais interessantes. Lua é uma linguagem leve, de sintaxe simples, pensada para iteração rápida: você escreve, testa, ajusta, sem recompilar nada pesado. C++ entra quando você precisa de performance nativa em algum sistema crítico.
Detalhe que vale orgulho local: Lua é uma linguagem brasileira, criada na PUC-Rio, e é uma das linguagens de script mais usadas na indústria de jogos há décadas (Roblox e Defold, por exemplo, também usam Lua como linguagem principal).
O assistente de IA no editor
O editor da Doriax traz um assistente de IA embutido que cria entidades e scripts a partir de linguagem natural. Você descreve o que quer e o assistente monta a base. É uma aposta clara na direção que várias ferramentas estão tomando: usar IA para acelerar as partes repetitivas da montagem de cena e do boilerplate de script.
O que não dá para afirmar ainda é a qualidade prática desse assistente no dia a dia de um projeto real. Isso só o tempo e o uso vão mostrar.
Doriax Vale Para Quem Está Começando?
Resposta direta: para o seu primeiro jogo, não.
Não é uma crítica à engine. É uma questão de ecossistema. Quando você está aprendendo, a engine em si é só metade da equação. A outra metade é tudo que existe ao redor dela: tutoriais em vídeo, cursos, threads de fórum com o erro exato que você tomou às 23h de uma terça-feira, exemplos de projeto aberto para estudar. Engine nova e de nicho, por definição, ainda não acumulou esse material. Cada obstáculo que em uma engine consolidada se resolve com uma busca de dois minutos pode virar uma tarde de tentativa e erro.
Para quem está começando, o caminho com menos atrito continua sendo uma engine consolidada, com comunidade grande e material abundante em português. Temos um comparativo completo das melhores engines de jogos para escolher a sua primeira, e se a sua dúvida está entre as duas opções mais faladas, o nosso comparativo entre Godot e Unity desce em detalhe nos critérios que importam de verdade.
A regra prática que sempre repetimos: a melhor engine para aprender é a que tem mais gente resolvendo os mesmos problemas que você. Habilidade de game dev transfere entre engines; tempo perdido travado em problema de ferramenta, não.
O Que a Doriax Sinaliza (E Isso Importa Mais Que a Engine)
Mesmo que você nunca instale a Doriax, o anúncio dela conta três coisas sobre a direção do desenvolvimento de jogos, e essas três coisas afetam você.
1. O ecossistema open source de engines está fervendo
Há alguns anos, "engine open source viável" era quase sinônimo de uma ou duas opções. Hoje, novos projetos aparecem com frequência, e chegam ao mundo já com recursos que antes eram exclusividade de engine comercial: PBR, cascaded shadows, backends gráficos modernos como Vulkan e Metal, ECS orientado a dados. A barreira técnica para uma engine livre competir em recursos caiu muito. Para o dev indie, isso significa mais opções gratuitas e de código aberto a cada ano. Se você quer montar seu arsenal sem gastar nada, veja nossa lista de ferramentas gratuitas para criar jogos.
2. Lua segue como porta de entrada de scripting
A escolha da Doriax por Lua reforça um padrão: quando uma engine quer oferecer iteração rápida sem sacrificar o motor nativo, Lua é a resposta recorrente. Para você, isso tem um efeito prático: aprender Lua é um investimento que se aproveita em várias ferramentas diferentes. É uma linguagem pequena, que se aprende rápido, e que continua abrindo portas.
3. Jolt e Box2D estão virando o padrão de física
Box2D na física 2D e Jolt Physics na 3D não são escolhas aleatórias. Box2D é veterana consolidada do 2D. Jolt é a engine de física que ganhou projeção por ser usada em Horizon Forbidden West e vem sendo adotada por cada vez mais engines (a própria Godot adicionou suporte a Jolt). Quando projetos novos escolhem os mesmos componentes de física, o conhecimento sobre comportamento de colisão, corpos rígidos e joints fica cada vez mais transferível entre ferramentas. Você aprende o conceito uma vez e reaproveita em qualquer lugar.
E Para Quem Já Domina Uma Engine?
Aí a conversa muda. Se você já tem uma engine principal, já lançou ou está lançando projeto nela, explorar a Doriax por curiosidade é um exercício saudável, pelos motivos certos:
- Ver outra arquitetura de perto. Um runtime ECS orientado a dados organiza o jogo de um jeito diferente do modelo de árvore de nós ou de GameObjects. Entender essa diferença te faz escrever código melhor na sua engine atual.
- Avaliar o assistente de IA no editor. Criar entidades e scripts por linguagem natural dentro do editor é uma abordagem que outras ferramentas devem seguir. Vale formar opinião própria testando.
- Código aberto de verdade. Licença MIT significa que você pode ler o código-fonte da engine inteira. Para quem quer entender como um motor de jogo funciona por dentro (render, física, ECS), é material de estudo de graça.
Só não confunda exploração com migração. Trocar de engine no meio de um projeto por causa de anúncio de ferramenta nova é uma das armadilhas clássicas do dev indie. Explore em projeto descartável, num fim de semana, sem compromisso.
Resumo Prático
O que sabemos da Doriax Game Engine, confirmado pelo hands-on do gamefromscratch.com: engine 2D/3D open source sob MIT, antes chamada Supernova, rodando em Windows, Mac e Linux. Scripting em Lua e C++, runtime ECS orientado a dados, editor integrado com assistente de IA, backends OpenGL, Vulkan, Metal e DirectX, PBR com iluminação dinâmica e cascaded shadows, importação GLTF e OBJ com animação esquelética, sprites e tilemaps no 2D, física com Box2D e Jolt, áudio 3D espacial.
O que isso significa para você:
- Está começando agora? Anote o nome, mas escolha uma engine consolidada para o primeiro jogo. Ecossistema pequeno custa caro em tempo de aprendizado.
- Já domina uma engine? Vale explorar por curiosidade, principalmente pela arquitetura ECS e pelo assistente de IA.
- Para todo mundo: o cenário open source de engines está mais forte do que nunca, Lua segue sendo um investimento seguro de aprendizado e o conhecimento de física com Box2D e Jolt transfere entre ferramentas.
Engine é meio, não fim. O que faz o seu jogo sair é dominar os fundamentos em uma ferramenta estável, e esses fundamentos você leva para qualquer engine que aparecer no futuro, Doriax incluída.
Perguntas frequentes
O que é a Doriax Game Engine?
A Doriax é uma engine de jogos 2D e 3D open source, antes chamada de Supernova. Ela usa runtime ECS orientado a dados, aceita scripting em Lua e C++ e traz editor integrado com assistente de IA que cria entidades e scripts a partir de linguagem natural.
A Doriax é gratuita?
Sim. A Doriax é distribuída sob licença MIT, uma das licenças open source mais permissivas. Você pode usar, modificar e distribuir a engine sem pagar nada, inclusive em projetos comerciais.
Qual linguagem de programação a Doriax usa?
A Doriax aceita duas linguagens: Lua, voltada para iteração rápida de gameplay, e C++, para quem precisa de performance nativa. Você pode prototipar em Lua e migrar partes críticas para C++.
A Doriax é boa para quem está começando a criar jogos?
Para o primeiro jogo, não é o caminho recomendado. Por ser uma engine nova e de nicho, o ecossistema de tutoriais e materiais de apoio ainda é pequeno. Iniciantes aprendem mais rápido em engines consolidadas, como a Godot. A Doriax vale como exploração para quem já domina outra engine.
Em quais sistemas a Doriax Game Engine roda?
A Doriax roda em Windows, Mac e Linux. Nos gráficos, ela suporta os backends OpenGL, Vulkan, Metal e DirectX, o que cobre as principais plataformas de desktop.


