GameHERs Awards 2026: 5 Brasileiras em Destaque

The GameHERs Awards 2026 premiou 5 brasileiras e o Brasil somou 6 reconhecimentos em 4 categorias. Veja quem são e o que isso diz sobre a cena indie.
O The GameHERs Awards 2026 colocou cinco brasileiras no mapa da premiação internacional que celebra mulheres na indústria de jogos. Cristiane Jade e Lia Fuziy foram reconhecidas em TrailblazeHERs in Gaming, a categoria de pioneiras, com Lia também destacada em Impact Through Education. Sofia Bedeschi apareceu em Advocates for Representation, e Alicya Morais e Patricia Lima receberam o GameHERs Student Impact Award. Somando tudo, o Brasil fechou a edição com 6 reconhecimentos em 4 categorias, segundo a Indie Brasilis, que publicou a lista em 22 de outubro de 2026.
Para quem não acompanha, o The GameHERs é uma iniciativa criada em 2019 com um objetivo claro: dar visibilidade, voz e poder de decisão a mulheres, pessoas identificadas com o gênero feminino e jogadoras não-binárias no cenário de jogos digitais. A premiação anual é um dos braços mais visíveis desse trabalho, e ver cinco nomes brasileiros na lista de 2026 não é um detalhe de rodapé. É um sinal de que o que vem sendo construído aqui dentro, em eventos de faculdade, em sala de aula e em comunidade, está sendo notado fora do país.
Quem são as cinco premiadas
A lista mistura perfis diferentes, e isso por si só já conta uma história sobre como se entra na indústria. Cristiane Jade e Lia Fuziy, as duas reconhecidas como pioneiras, começaram a carreira juntas organizando eventos universitários. Não foi um estúdio grande nem um financiamento gordo que abriu a porta: foi trabalho de comunidade, feito do lado de dentro da faculdade, antes de qualquer cargo formal. Lia Fuziy hoje atua como educadora de jogos digitais e está envolvida com projetos como o GameDev ToolKit e a EAI Jogos, o que explica o reconhecimento adicional em Impact Through Education.
Sofia Bedeschi entrou pela categoria Advocates for Representation, voltada a quem empurra a pauta de representatividade dentro do setor. E o GameHERs Student Impact Award, que reconhece impacto ainda na fase estudantil, foi para Alicya Morais e Patricia Lima. Isso importa para quem está começando agora: duas das premiadas foram destacadas justamente pelo que fizeram enquanto ainda estudavam, não depois de uma década de carreira.
O que isso significa para quem faz jogo indie no Brasil
É fácil olhar uma premiação internacional e tratar como notícia distante, coisa de gente que já chegou. Mas o recorte dessa edição diz o contrário. Boa parte do reconhecimento veio de educação, representatividade e impacto estudantil, ou seja, das atividades que a maioria de nós pode fazer sem esperar permissão: organizar um evento, dar uma oficina, documentar o que aprendeu, trazer mais gente para dentro.
O caminho de Cristiane Jade e Lia Fuziy é o exemplo mais direto disso. As duas não foram premiadas por um lançamento milionário, foram reconhecidas por anos de trabalho que começaram montando evento de faculdade. Se você está numa universidade, num coletivo ou num grupo de Discord de dev, esse é literalmente o terreno onde o reconhecimento nasce. A cena brasileira de jogos cresce mais por comunidade do que por capital, e essa lista deixa isso escancarado.
Tem também a parte da representatividade pura. Quando cinco brasileiras aparecem numa premiação dessas, a mensagem para quem está decidindo se "cabe" na área muda. A dúvida de quem olha a indústria de fora e não se vê nela some um pouco quando os nomes em destaque se parecem com você, falam a sua língua e vieram da mesma faculdade que você poderia estar cursando. Não resolve o problema de representatividade do setor, mas move a agulha de quem considera entrar.
O parágrafo prático é esse: a porta de entrada no desenvolvimento de jogos raramente é um emprego dos sonhos caindo do céu. É participação. É fazer uma game jam, publicar um projetinho, ajudar a organizar um encontro local, aparecer na comunidade. Se você ainda está decidindo se começa, começar é a parte que você controla.
Como transformar isso em caminho de carreira
Se a notícia te animou, o próximo passo não é esperar a próxima premiação, é entrar na roda. Entender o terreno ajuda: vale olhar o que faz um game designer para saber quais funções existem na produção de um jogo e onde o seu perfil encaixa. A partir daí, a prática é o que constrói repertório, e não tem jeito melhor de ganhar repertório rápido do que um guia de game jams: você faz um jogo do zero em poucos dias, termina alguma coisa e sai com projeto para mostrar.
E quando esse projeto existir, é hora de empacotar o que você fez de um jeito que a indústria entenda. Um bom currículo de desenvolvedor de jogos é menos sobre tempo de experiência e mais sobre provar que você entrega. As premiadas estudantis desta edição são a prova viva disso: o que conta é o que você coloca no mundo, não quanto tempo de crachá você tem.
A cena brasileira de jogos está num momento em que o trabalho feito aqui está sendo visto lá fora. O GameHERs Awards 2026 é uma confirmação disso, não uma exceção. A pergunta que fica não é se dá para entrar, é o que você vai fazer primeiro.
Fontes
Perguntas frequentes
O que é o The GameHERs Awards?
É uma premiação ligada ao The GameHERs, iniciativa criada em 2019 para dar visibilidade, voz e poder de decisão a mulheres, pessoas identificadas com o gênero feminino e jogadoras não-binárias no cenário de jogos digitais. A premiação reconhece quem se destaca em categorias como educação, representatividade e impacto na indústria.
Quantas brasileiras foram premiadas no GameHERs Awards 2026?
Cinco brasileiras foram destacadas: Cristiane Jade, Lia Fuziy, Sofia Bedeschi, Alicya Morais e Patricia Lima. No total, o Brasil somou 6 reconhecimentos em 4 categorias na edição de 2026.
Em quais categorias o Brasil foi reconhecido?
As brasileiras apareceram em categorias como TrailblazeHERs in Gaming (Pioneiras), Impact Through Education, Advocates for Representation e o GameHERs Student Impact Award. Cristiane Jade e Lia Fuziy foram premiadas na mesma categoria de pioneiras.


