Taxa da Play Store e App Store: quanto a loja cobra

Quanto a Google Play e a App Store cobram do desenvolvedor? A conta real do corte de 30% e 15%, câmbio e imposto BR pra saber quanto sobra pro dev indie.
Quase todo mundo que vai lançar um jogo mobile ouve o número 30% e para por aí. Mas a pergunta certa é quanto a Google Play e a App Store cobram do desenvolvedor na conta que importa: a que sobra depois que a loja, o câmbio e o imposto já morderam o pedaço deles. E a boa notícia é que, pro indie brasileiro típico, o corte real da loja raramente é 30%. Esse texto faz a conta de verdade, do preço que o jogador paga até o que cai na sua conta no Brasil.
Se você ainda está decidindo entre vender o jogo, cobrar por item dentro dele ou viver de anúncio, vale ter em mente que cada modelo passa por uma conta diferente. Aqui o foco é o dinheiro que entra pela cobrança da loja: jogo pago e compra dentro do app. Receita de anúncio segue outro caminho, e eu volto nisso no fim.
Quanto a Google Play e a App Store cobram do desenvolvedor
O corte padrão das duas lojas é o mesmo: 30% sobre cada venda do app ou compra digital dentro dele. Esse é o número que todo mundo repete, e é o teto. Mas quase nenhum dev indie paga 30% de verdade, por causa dos programas de pequeno desenvolvedor.
O corte padrão: 30%
Tanto a Google quanto a Apple ficam com 30% sobre:
- A venda do jogo pago (o preço de capa na loja)
- Compras dentro do app: itens, moedas, passes, desbloqueios
- Assinaturas digitais (no primeiro ano, no caso da Apple)
Isso cobre o processamento de pagamento, a distribuição, a hospedagem do app e a vitrine da loja. Você não paga 30% por estar na loja: você paga 30% de cada real que o jogador gasta ali dentro.
O corte reduzido: 15% pelo Small Business Program
Aqui está a parte que muda o jogo pro indie. As duas lojas têm um programa de pequeno desenvolvedor:
- Small Business Program do Google: comissão cai para 15% sobre o primeiro US$ 1 milhão de receita que você fatura por ano.
- App Store Small Business Program da Apple: mesma lógica, comissão de 15% sobre o primeiro US$ 1 milhão de receita anual.
Como o faturamento de quase todo jogo indie fica muito abaixo de US$ 1 milhão por ano, na prática o corte real da loja pro indie brasileiro é 15%, não 30%. É importante saber que você precisa se inscrever no programa: ele não liga sozinho em todos os cenários, e deixar de ativar é dinheiro jogado fora.
Tem ainda um terceiro caso, específico de assinatura na Apple: quando um mesmo usuário mantém a assinatura por mais de 12 meses, a comissão sobre aquela assinatura também cai para 15% a partir do 13o mês. Para jogo indie isso pesa pouco (assinatura longa de usuário único é raro em jogo), mas vale saber que existe.
Comparativo do corte das duas lojas
| Situação | Google Play | App Store |
|---|---|---|
| Padrão (sem programa) | 30% | 30% |
| Pequeno desenvolvedor (até US$ 1 mi/ano) | 15% | 15% |
| Assinatura após 12 meses do mesmo usuário | 15% | 15% (a partir do 13o mês) |
Na prática, pro indie que fatura abaixo de US$ 1 milhão por ano, as duas lojas convergem para o mesmo número: 15%. A diferença entre Play Store e App Store, no bolso do indie, é bem menor do que o número cheio de 30% faz parecer.
A conta real: de R$ 20 de preço, quanto sobra
O corte da loja é só a primeira mordida. Entre o preço que o jogador paga e o dinheiro que cai na sua conta no Brasil, ainda passam câmbio e imposto. Vamos fazer a conta com um jogo a R$ 20, supondo que você já está no programa de 15%.
- Preço que o jogador paga: R$ 20,00
- Corte da loja (15%): a loja fica com R$ 3,00, sobram R$ 17,00
- Câmbio e recebimento: a loja paga em dólar e você recebe por transferência internacional, com spread de câmbio e tarifa de recebimento. Isso come mais um pedaço, variável conforme seu banco ou conta internacional.
- Imposto brasileiro: sobre o que entra ainda incide o imposto da sua estrutura (MEI, Simples Nacional ou pessoa física). A alíquota depende do seu enquadramento, então não dá para cravar um número único aqui, mas ela existe e precisa entrar na projeção.
O ponto não é decorar um valor final: é entender que, dos R$ 20 do preço, o corte da loja de 15% ainda é o menor dos problemas. O câmbio e o imposto empilham por cima. Se você projetar receita contando com 85% do preço de capa (os 100% menos os 15% da loja), vai planejar com um número que não existe. O que sobra de verdade na conta fica abaixo disso.
E se você tivesse ficado no corte padrão de 30%? Dos mesmos R$ 20, a loja ficaria com R$ 6,00 em vez de R$ 3,00. É exatamente por isso que ativar o programa de pequeno desenvolvedor é a primeira coisa a fazer: dobra o pedaço que a loja tira, se você esquecer.
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Jogo pago ou compra dentro do app
A taxa é a mesma (15% ou 30%), mas onde ela incide muda a estratégia. No jogo pago, o corte bate uma vez só, na compra. Na compra dentro do app, o corte bate em cada transação, a vida inteira do jogador no jogo. Isso faz o modelo free com compras internas render muito mais ao longo do tempo, desde que o jogo segure o jogador, e é por isso que a maioria dos indies mobile foi para esse caminho.
Vale comparar com a loja de PC antes de decidir: o corte de 30% das lojas mobile é o mesmo teto da Steam, e eu detalho a taxa da Steam e quanto fica pra você depois dos 30% em outro texto. A diferença é que no mobile o programa de pequeno desenvolvedor derruba o seu corte real para 15% com muito mais facilidade.
Se o seu plano é lançar nas duas lojas, o passo a passo de cadastro, contas de desenvolvedor e taxas de entrada está em como publicar jogos mobile na Google Play e na App Store. Lá entra também a taxa única de registro de desenvolvedor, que é outra despesa, separada da comissão por venda.
E o anúncio, entra nessa conta?
Não. A receita de anúncio dentro do jogo não passa pelo sistema de cobrança da loja, então a Play Store e a App Store não ficam com os 15% ou 30% dela. Ali quem fica com a fatia é a rede de anúncios (o AdMob do Google, por exemplo). É uma conta totalmente diferente, com um corte diferente, e por isso muita gente combina os dois modelos: compra dentro do app para quem paga e anúncio para quem não paga.
Se o seu plano inclui monetizar com anúncio, vale ver antes quanto o AdMob paga em um jogo mobile e como colocar anúncios em jogo mobile sem espantar o jogador, porque o valor por mil impressões no Brasil é baixo e exige volume de jogador para fazer diferença.
O resumo pra sua projeção
Juntando tudo, o que você precisa levar pra planilha:
- O corte padrão das duas lojas é 30%, mas esse é o teto, não o seu número.
- Pelo Small Business Program (Google) e pelo App Store Small Business Program (Apple), a comissão cai para 15% no primeiro US$ 1 milhão de receita por ano, que é a faixa de praticamente todo indie.
- Assinatura na Apple cai para 15% depois de 12 meses do mesmo usuário, detalhe que pesa pouco em jogo.
- Depois do corte da loja ainda saem câmbio, tarifa de recebimento e imposto brasileiro, então o que sobra na conta fica abaixo do percentual da loja isolado.
- Anúncio não passa pela cobrança da loja: aquilo é outra conta, com a rede de anúncios.
A taxa da loja é um custo que você não negocia, igual pros dois lados. O que está no seu controle é ativar o programa de 15%, precificar sabendo quanto sobra de verdade e, antes de tudo isso, ter um jogo pronto para colocar na loja. Sem o jogo na prateleira, o corte da loja é zero por cento de zero.
Perguntas frequentes
Quanto a Google Play e a App Store cobram do desenvolvedor?
O corte padrão das duas lojas é de 30% sobre cada venda ou compra dentro do app. Mas quem fatura pouco cai na faixa reduzida: pelo Small Business Program do Google e pelo App Store Small Business Program da Apple, a comissão desce para 15% no primeiro US$ 1 milhão de receita por ano. Em assinaturas, a Apple também cobra 15% a partir do 13o mês de assinatura contínua do mesmo usuário.
Como funciona o Small Business Program das lojas?
Os dois programas (o do Google e o da Apple) reduzem a comissão de 30% para 15% sobre os primeiros US$ 1 milhão de receita que você fatura no ano. Como quase todo dev indie fatura bem abaixo disso, na prática o corte real da loja para o indie costuma ser 15%, não 30%. Você precisa se inscrever no programa: ele não é automático em todos os casos.
Depois do corte da loja, quanto sobra pro dev brasileiro?
Menos do que o percentual da loja sugere. Depois do corte de 15% ou 30%, a receita ainda passa por conversão de câmbio com spread, tarifas de recebimento internacional e o imposto brasileiro da sua estrutura (MEI, Simples ou pessoa física). Some tudo e o que cai na conta costuma ficar bem abaixo dos 85% ou 70% que o corte isolado sugere.
A taxa vale pra jogo pago e pra compra dentro do app?
Vale para a venda do app pago e para as compras digitais dentro dele (itens, moedas, assinaturas), que passam pelo sistema de cobrança da loja. Receita de anúncios no jogo não passa pela cobrança da loja e segue outra conta: ali quem fica com a fatia é a rede de anúncios, não a Play Store ou a App Store.


